Copa do Mundo 2026: o que os dados já mostram sobre o impacto no varejo (e o que ainda está por vir)

Uma categoria que representa 0,2% do faturamento total do varejo foi responsável por 13,5% de todo o crescimento em unidades do mês de maio.

Isso é figurinha. Isso é Copa do Mundo. E isso é só o começo.

Os dados do Radar Scanntech — relatório que monitora o desempenho de milhares de pontos de venda em todo o Brasil — mostram que a Copa do Mundo 2026 já está movendo o varejo de formas que muitos gestores ainda não mapearam. Quem se preparou está colhendo. Quem esperou para ver está chegando atrasado.

Este artigo reúne os números, as categorias que mais crescem, o comportamento do shopper e o que o varejista ainda pode fazer para aproveitar o torneio.

O número que ninguém esperava

Em maio de 2026, a cesta de Bazar foi a que mais cresceu no varejo alimentar: +11,2% em faturamento e +10% em unidades.

Dentro do Bazar, a categoria de Jogos e Figurinhas cresceu 7 vezes em unidades comparando com maio de 2025.

Sete vezes.

Para uma categoria que normalmente movimenta pouco, o impacto proporcional foi enorme. Mas o dado mais revelador não é o crescimento da categoria em si — é o que ele representa como sinal de comportamento.

A figurinha não é só produto. É o ritual. A criança pedindo para o pai parar no mercado na volta do trabalho. O adulto procurando o envelope que falta. O engajamento emocional com a Copa transformado em tráfego real dentro das lojas.

Copa não é só figurinha: as categorias que estão crescendo

Quando a Copa bate na porta, o consumidor começa a se reunir. E quando as pessoas se reúnem, elas compram carnes, bebidas, salgadinhos e tudo que vai para a mesa.

Os dados de maio já mostram esse movimento:

  • Legumes: +20,3% em valor
  • Bovino in natura: +12,9% em valor
  • Queijo: +7,9% em valor
  • Iogurte: +9,9% em valor
  • Energético: +27,5% em valor e +20,8% em unidades

Churrasco antes do jogo. Queijo no petisco. Energético para acompanhar. O padrão é claro.

Dia das Mães + Copa no mesmo mês

Maio teve dois catalisadores simultâneos, o que torna difícil isolar o efeito de cada um. Na semana do Dia das Mães, o varejo cresceu +4,6% em faturamento comparando com a mesma semana de 2025. Kit Capilar subiu 16,5%, Bovino in natura 15,4%.

Parte desse movimento veio da Copa. As duas datas se sobrepõem, e o consumidor comprou mais por causa das duas.

A lição prática: a Copa não funciona sozinha. Ela funciona como amplificador de ocasiões de consumo que já existiam.

O que os dados projetam para os próximos meses

O Radar Scanntech rodou um estudo especial sobre o impacto da Copa no varejo. Os números são relevantes para qualquer planejamento:

  • Fluxo em loja cresce 8,3% nos dias que antecedem os jogos. O consumidor vai ao mercado antes de assistir. Ele está comprando para o momento do jogo.
  • Se o Brasil chegar à final, o potencial de crescimento em vendas é de 8,6% no período do torneio.

Para colocar em perspectiva: num cenário em que o varejo está crescendo 1,6% ao mês, um pico de 8,6% associado a uma final do Brasil é transformador.

Como o varejo pode se preparar: fase por fase

A Copa tem uma dinâmica própria que molda o consumo de formas diferentes ao longo do torneio.

Fase de grupos (início do torneio)

O engajamento ainda está se construindo. O consumidor está comprando figurinha, acompanhando os resultados, mas as compras de abastecimento para assistir ao jogo ainda não estão aceleradas.

O que funciona: ativação da base com comunicação temática, figurinhas e produtos de Bazar, inicio da ativação de churrasco e petisco para as primeiras transmissões.

Oitavas e quartas (torneio aquecendo)

O Brasil (esperamos) ainda está vivo. O engajamento nacional aumenta. O consumo de cerveja, carnes e snacks acelera. O shopper começa a criar o ritual de assistir em grupo.

O que funciona: ofertas por WhatsApp antes dos dias de jogo, kit de churrasco (carne + carvão + bebida), campanhas para o segmento de clientes que historicamente compra para ocasiões.

Semifinal e final (pico)

Se o Brasil chegar longe, o varejo entra em modo de exceção. O fluxo em loja bate recordes, o ticket médio sobe e categorias inteiras que estavam em queda viram destaque do mês.

O que funciona: tudo. O problema nessa fase é mais operacional (ruptura, estoque) do que comercial.

O erro que a maioria dos varejistas comete na Copa

Campanhas de “vai Brasil” com promoção genérica para toda a base.

O erro não está na mensagem. Está em mandar para todo mundo sem considerar quem é cada cliente.

Um cliente que compra regularmente bebidas alcoólicas e proteínas tem um comportamento de Copa muito diferente de um cliente que compra só produtos de limpeza e higiene. Mandar a mesma oferta de cerveja para os dois não só desperdiça comunicação — no segundo caso, pode até irritar.

A personalização por comportamento de compra é o que separa uma campanha de Copa que converte de uma que infla o custo de comunicação sem gerar resultado.

O que o dado mostra sobre o shopper da Copa

Segundo a análise de shopper do Scanntech, Fruta entrou como categoria de maior crescimento em incidência em Perecíveis (+0,6 p.p.). Fruta é comprada em missão de abastecimento, junto com outros itens da despensa.

Isso quer dizer que o consumidor da Copa não está comprando só para o momento do jogo — ele está fazendo uma compra maior, de mais itens, quando vai à loja. O ticket cresce.

Como ativar a base de clientes antes dos jogos

Se você tem uma base de clientes com histórico de compras, a Copa é o momento mais óbvio do ano para fazer ativação personalizada.

A lógica é simples:

  1. Identifique quem compra para ocasiões. Clientes que compraram churrasco, bebida e snack em jogos passados ou em datas comemorativas são os mais prováveis de repetir o padrão.
  2. Segmente por tipo de consumo. Quem bebe cerveja tem uma oferta diferente de quem não bebe. Quem tem família grande compra embalagem maior. Quem compra queijo provavelmente compra outros itens de petisco.
  3. Ative antes do jogo, não durante. O fluxo aumenta nos dias que antecedem as partidas. A comunicação precisa chegar com 24-48 horas de antecedência, quando o consumidor ainda vai planejar a ida ao mercado.
  4. Meça o retorno por cliente, não só o faturamento do período. A Copa vai gerar crescimento geral, mas você quer saber se a campanha funcionou — e para isso precisa comparar o comportamento dos clientes que receberam a mensagem com os que não receberam.

Plataformas como a Lemon go fazem esse ciclo completo: identificar o perfil de compra de cada cliente na base, criar a segmentação certa, enviar via WhatsApp e medir o retorno em vendas reais. O que antes exigia uma equipe de dados, hoje cabe numa ferramenta acessível para redes de qualquer tamanho.

Estudo de caso: ativação de base antes dos jogos

Nosso cliente Boutique de Bebidas e carnes!

Uma rede de 17 lojas preparou uma campanha de Copa segmentando a base em três grupos: clientes com histórico de compra de carne e cerveja, clientes de mercearia sem histórico de bebida alcoólica e clientes inativos há mais de 30 dias.

Cada grupo recebeu uma mensagem diferente via WhatsApp, com ofertas específicas para o perfil.

Resultado: taxa de abertura 64%, conversão 32%, impacto em faturamento por segmento comparado com período anterior e com grupo de controle.

O que chamou atenção: o grupo inativo reagiu melhor do que o esperado quando a oferta era de uma categoria que ele havia comprado anteriormente — não de produtos genéricos. A Copa foi a desculpa, mas a personalização foi o gatilho.

Depois da Copa, o que fica?

Toda sazonalidade tem um efeito de ressaca. Depois do torneio, o varejo volta à pressão de preço e volume que marcou o início de 2026.

Mas tem um legado que fica: o hábito de reunião criado durante a Copa tende a continuar em alguma medida. O consumidor que se acostumou a receber oferta personalizada antes do jogo do Brasil pode continuar abrindo mensagem de WhatsApp do mercado — se o mercado continuar mandando a mensagem certa.

O erro seria aproveitar a Copa para mandar muita mensagem genérica e destruir a credibilidade do canal. O acerto é aproveitar o momento de alto engajamento para construir um relacionamento que vai além do torneio.

Perguntas que os gestores costumam fazer

Vale investir em estoque de figurinha?
Os dados mostram que sim, a categoria explodiu. Mas o prazo é curto. O estoque precisa girar antes do torneio acabar ou do interesse cair.

Devo criar uma campanha específica para a Copa ou aproveitar os materiais genéricos do fornecedor?
Material genérico tem valor de sinalização. Mas o que converte é a comunicação direta com o cliente certo, no momento certo. Os dois não se excluem.

Como medir se a Copa ajudou minha loja ou se o crescimento teria acontecido de qualquer forma?
Compara o crescimento das categorias de Copa (carne, cerveja, petisco, bebida) com as categorias que não têm relação com o torneio. Se as primeiras cresceram mais, é Copa. Se tudo cresceu igual, é sazonalidade geral.

Compartilhe

Conteúdos relacionados

Semana passada eu pedi pro ChatGPT um tênis preto, confortável, até R$ 300, pra usar o dia todo. Ele me...

O desemprego no Brasil caiu de 14,9% em janeiro de 2021 para 5,8% em janeiro de 2026. No mesmo período,...

O uso de dashboards para gestão comercial tem se tornado cada vez mais comum, as telas grandes e painéis de...

Agende uma demonstração

Lorem ipsum dolor sit amet consectetur. Sed ut lectus integer duis condimentum. Euismod aliquam sapien quis vitae dignissim quis pharetra ut volutpat. Euismod